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Planejamento de marketing para 2027: da estratégia ao orçamento

Um guia para revisar 2026, definir objetivos, estudar o mercado e transformar prioridades em ações, orçamento e calendário para 2027.

Setembro abre uma boa janela para planejar o próximo ano. Já existe uma parte relevante de 2026 para analisar e ainda há tempo para pesquisar, negociar, testar ideias e organizar o trabalho antes de janeiro.

O planejamento estratégico e orçamentário de marketing conecta cinco decisões: onde o negócio quer chegar, quais públicos e ofertas terão prioridade, como a marca vai competir, quais ações serão executadas e quanto será possível investir. O calendário organiza essas escolhas ao longo do ano.

Este guia foi preparado em setembro de 2026 para gestores de marketing e empreendedores. A proposta é ajudar você a construir um plano aplicável a comércio, serviços, negócios digitais e empresas que vendem para outras empresas, o mercado B2B. Ajuste a profundidade ao porte da operação: uma equipe pequena pode concentrar o trabalho em uma planilha bem organizada e poucas prioridades.

Ao terminar, você deverá ter um diagnóstico de 2026, objetivos de 2027, indicadores definidos, hipóteses de mercado, calendário de ações, orçamento mensal e uma rotina de acompanhamento. Os números apresentados são exemplos fictícios para estudo; não representam resultados da Mosaico, de clientes ou referências obrigatórias de desempenho.

Como usar este guia

Leia na sequência para montar o plano do zero ou consulte a etapa em que está trabalhando. Faça o diagnóstico com marketing, vendas, financeiro e operação: as decisões dependem de informações que raramente estão em uma única área.

  1. Revisão das ações e dos números de 2026
  2. Mercado e influências externas
  3. Objetivos, KPIs e OKRs
  4. Concorrência e repertório criativo
  5. Estudo de público
  6. Produtos, canais e marketplaces
  7. Orçamento e viabilidade
  8. Calendário comercial de 2027
  9. Ações e orçamento mês a mês
  10. Parcerias e eventos da cidade
  11. Conteúdo e marketing digital
  12. Rotina de acompanhamento
  13. Modelo de plano e preparação até janeiro

1. Revise as ações e os números de 2026

Comece reunindo o que realmente aconteceu. Consulte o calendário de campanhas, relatórios de mídia, vendas, sistema de gestão, atendimento, contratos e pagamentos. Consulte também o CRM, sistema usado para organizar o relacionamento com clientes e oportunidades comerciais. Inclua ações de marca, relacionamento, loja física e eventos, além das iniciativas digitais.

Faça um inventário das ações executadas

Crie uma linha para cada campanha ou iniciativa relevante. Registre período, objetivo original, público, oferta, canais, responsável, gasto previsto, gasto realizado, resultado e evidências. Anote também o que foi cancelado, atrasou ou ficou incompleto e por quê.

Uma ação pode ter vendido bem, mas consumido margem demais. Outra pode ter gerado contatos que ainda estão no ciclo comercial. Uma terceira pode ter melhorado a percepção da marca sem produzir vendas imediatamente. Avalie cada iniciativa pelo objetivo que deveria cumprir e pela qualidade dos dados disponíveis.

Campo do inventárioO que registrar
Ação e períodoNome, início, fim e janela de análise dos resultados
Objetivo e públicoProblema que a ação deveria resolver e pessoas que pretendia alcançar
ExecuçãoOferta, canais, peças, parceiros, responsável e mudanças de escopo
InvestimentoMídia, criação, produção, equipe, ferramentas e demais custos incluídos
ResultadoIndicador principal, meta, realizado, fonte e limitações da medição
AprendizadoO que manter, corrigir, testar novamente ou encerrar

Termine o inventário com decisões. “O vídeo teve bastante visualização” é uma observação. “O vídeo respondeu a uma objeção frequente e será testado na página do produto, medindo conversão” já orienta uma próxima ação.

Compare períodos equivalentes

Em setembro de 2026, o ano ainda está em andamento. Se agosto for o último mês fechado, use janeiro a agosto de 2026 contra janeiro a agosto de 2025. Mantenha setembro parcial separado e identifique claramente as projeções de setembro a dezembro.

ComparaçãoComo fazerO que ela ajuda a investigar
2026 × 2025Mesmo intervalo fechado nos dois anos; por exemplo, janeiro a agostoCrescimento, mudança de margem, aquisição, retenção e participação dos canais
Mês a mêsMês fechado contra o anterior e contra o mesmo mês de 2025Tendência recente, sazonalidade, efeitos de campanhas e rupturas de estoque
Trimestre a trimestreTrimestres completos entre si e contra o equivalente de 2025Evolução das prioridades e resultados que precisam de mais tempo para aparecer
Semestre a semestreSemestres completos entre si e contra o equivalente de 2025; em setembro, somente o primeiro semestre de 2026 está fechadoMudanças mais estruturais e concentração dos resultados ao longo do ano

Em setembro, o primeiro e o segundo trimestres estão encerrados; o terceiro só fecha em 30/09. O primeiro semestre está completo, enquanto o segundo contém meses ainda não realizados. É possível projetá-lo, desde que essa projeção não apareça como resultado apurado.

Para estimar o fechamento anual, some realizado dos meses encerrados + projeção dos meses restantes. Construa a projeção com sazonalidade histórica, vendas em andamento, contratos, capacidade e ações previstas. Depois de dezembro, substitua estimativas pelos números fechados.

Dê contexto aos números

Compare receita, quantidade vendida, margem, novos clientes, recompra, oportunidades comerciais, conversão e investimento conforme o modelo do negócio. No digital, inclua tráfego e conversões; em lojas, fluxo e conversão de atendimento; em serviços, agenda, ocupação e cancelamentos; no B2B, oportunidades qualificadas, propostas, ciclo de venda e contratos.

Antes de concluir, confira mudanças de preço, mix de produtos, quantidade de unidades, dias de funcionamento, estoque e método de medição. Uma nova loja ou um canal recém-aberto pode explicar parte do crescimento. Sempre que possível, observe também as unidades e ofertas que existiam nos dois períodos.

Variação percentual = (valor atual ÷ valor anterior − 1) × 100. Exemplo: R$ 240 mil contra R$ 200 mil representam crescimento de 20%. Se a base anterior for zero, mostre a diferença absoluta; a variação percentual comum não é calculável.

Uma taxa que passa de 2% para 3% aumenta 1 ponto percentual, equivalente a 50% de crescimento relativo. Identifique qual medida está usando.

Para consolidar taxas, recalcule com os totais. A conversão anual é o total de conversões dividido pela base elegível do ano, mantendo a mesma definição; a média simples das taxas mensais pode distorcer meses com volumes muito diferentes.

Saída desta etapa: um diagnóstico com os principais resultados, suas evidências, três a cinco aprendizados prioritários e problemas de medição que precisam ser corrigidos.

2. Entenda o mercado de 2026

Resultados internos precisam ser lidos junto ao ambiente em que aconteceram. Uma queda de vendas pode envolver menor procura, concorrência, preço, distribuição, atendimento ou execução da campanha. Investigue mais de uma explicação antes de escolher a próxima ação.

Monte uma linha do tempo com fatores externos relevantes: condições de crédito, preços, clima, turismo, eventos, mudanças de comportamento, entrada de concorrentes e transformações nos canais. Ao lado, registre acontecimentos internos, como reajustes, falta de estoque, alteração de equipe e lançamento de produtos.

Para acompanhar o contexto, use fontes com período e recorte identificados:

  • Comércio: a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE oferece indicadores de volume e receita do varejo. Confira o segmento e a abrangência antes de comparar com sua operação.
  • Serviços: a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE ajuda a observar atividades abrangidas pela pesquisa. Um indicador nacional não descreve sozinho uma empresa ou bairro.
  • Preços e expectativas: acompanhe o IPCA no IBGE e o Relatório Focus do Banco Central. O Focus reúne expectativas de participantes do mercado; elas não são previsões do próprio Banco Central nem resultados já realizados.
  • Procura e contexto local: combine associações setoriais, entidades comerciais, agendas oficiais, entrevistas e comportamento de busca. Os índices do Google Trends são relativos e normalizados; um índice 100 não significa cem buscas nem comprova demanda de compra.

Registre fonte, data da consulta, período medido e hipótese que o dado ajuda a avaliar. Crescimento nominal de receita pode refletir reajustes, por isso observe também quantidade, ticket, composição das vendas e custos próprios. O índice geral de inflação não substitui a análise dos preços praticados pelo seu negócio.

Separe coincidência de efeito da ação. Uma campanha pode coincidir com um aumento de vendas que também teria ocorrido pela sazonalidade. Quando viável, compare regiões, lojas, públicos ou períodos semelhantes, com diferenças conhecidas documentadas. Esses testes ajudam a estimar contribuição; relatórios de atribuição, sozinhos, não demonstram causalidade.

Saída desta etapa: oportunidades, ameaças e hipóteses para 2027, cada uma acompanhada de evidência e grau de confiança. O que ainda não tem suporte deve permanecer como hipótese a testar.

3. Defina objetivos, KPIs e OKRs para 2027

Comece pelo objetivo do negócio e explicite a contribuição esperada de marketing. A prioridade pode ser conquistar clientes em uma região, aumentar recompra, melhorar a qualidade das oportunidades comerciais, reposicionar a marca ou desenvolver uma categoria rentável.

Escolha poucas prioridades e descreva as renúncias necessárias. Se a equipe só consegue sustentar dois projetos relevantes por trimestre, um plano com dez frentes simultâneas precisa ser revisto. Metas devem conversar com capacidade de atendimento, estoque, vendas e caixa.

KPIs: o painel de acompanhamento

KPIs, ou indicadores-chave de desempenho, são as medidas selecionadas para acompanhar os resultados. Escolha um resultado principal para cada objetivo, os indicadores que ajudam a explicar sua evolução e limites que protejam o negócio.

ObjetivoResultado a acompanharIndicadores de apoio ou proteção
Aquisição rentávelNovos clientes e custo de aquisiçãoConversão, margem, cancelamentos e prazo de retorno
RetençãoRecompra por grupo de clientes e período definidoFrequência, satisfação, devoluções e perda de clientes
Crescimento B2BReceita e contratos originados ou apoiados por marketing, sem duplicaçãoOportunidades qualificadas, taxa de ganho e ciclo comercial
Fortalecimento de marcaLembrança, consideração ou preferência em pesquisa comparávelProcura pela marca e alcance no público pretendido, como sinais complementares

Cada indicador precisa de definição, fórmula, fonte, responsável, frequência, ponto de partida e meta. Documente, por exemplo, se “cliente novo” significa primeira compra no negócio ou apenas primeira compra em um canal.

Algumas fórmulas úteis:

  • Conversão: resultados desejados ÷ oportunidades elegíveis × 100. Defina a unidade: sessões, pessoas, contatos ou propostas.
  • CAC, custo de aquisição de clientes: custos de aquisição incluídos no cálculo ÷ novos clientes do mesmo recorte. Declare se o cálculo inclui equipe, agência e ferramentas; custo de mídia por cliente é uma visão mais restrita.
  • ROAS: receita atribuída aos anúncios ÷ gasto em anúncios. Não mede lucro e depende das regras e janelas de atribuição.
  • Recompra em 90 dias: entre os clientes com 90 dias completos de observação desde a primeira compra, divida quantos recompraram nesse intervalo pelo total de clientes desse mesmo grupo e multiplique por 100.

Em vendas longas, alinhe custos, origem e maturação dos clientes; gastos de janeiro podem gerar contratos meses depois. Para retenção, compare grupos que tiveram o mesmo tempo de observação. Evite somar receitas atribuídas por plataformas diferentes: mais de uma pode reivindicar a mesma venda.

OKRs: a mudança que merece prioridade

OKR é a sigla em inglês para objetivos e resultados-chave. Um OKR combina um objetivo com resultados-chave verificáveis dentro de um prazo. O objetivo explica a mudança desejada; os resultados-chave mostram como reconhecer avanço. Esse é o núcleo da metodologia apresentada pelo What Matters.

Exemplo fictício de OKR para o primeiro semestre de 2027

Objetivo: tornar a aquisição do comércio eletrônico mais eficiente, preservando a qualidade das vendas.

  • KR 1: aumentar os novos clientes de 400 no primeiro semestre de 2026 para 500 no primeiro semestre de 2027.
  • KR 2: reduzir o CAC completo de R$ 160 para, no máximo, R$ 150, mantendo o mesmo conjunto de custos no cálculo.
  • KR 3: manter a margem de contribuição antes dos custos de aquisição em pelo menos 40% da receita da categoria durante o semestre.

As iniciativas podem incluir testar páginas de produto, melhorar a oferta e desenvolver parcerias. “Publicar vinte vídeos” mede uma entrega; para demonstrar evolução do negócio, conecte essa entrega ao resultado que pretende mudar. Conforme o estágio do projeto, resultados-chave de aprendizado ou de entrega também podem ser úteis; explique o que comprovam. O What Matters diferencia resultados de esforço, entrega e efeito.

Neste exemplo, 500 clientes com CAC de até R$ 150 estabelecem um limite de R$ 75 mil de aquisição para esse volume. Verifique se a verba, a margem e o retorno esperado sustentam a meta. Este exercício de OKR é independente do exemplo de orçamento anual apresentado adiante.

Saída desta etapa: objetivos anuais, prioridades trimestrais e um painel enxuto com metas, responsáveis e limites claros.

4. Pesquise concorrentes e amplie o repertório

Uma boa pesquisa de mercado observa quem disputa a mesma compra e procura referências que ajudem a criar algo relevante. O Sebrae orienta o planejamento a partir do mercado, do público e das escolhas de atuação. Organize essa investigação em três grupos.

Concorrentes diretos: atendem a um público semelhante com uma oferta comparável. Observe posicionamento, preços, diferenciais, canais, atendimento, disponibilidade, experiências e frequência promocional.

Concorrentes indiretos: resolvem a mesma necessidade de outra forma ou disputam o mesmo orçamento. Uma academia pode disputar tempo e dinheiro com atividades ao ar livre, treinos em casa ou outras opções de lazer. Em alguns contextos, adiar a compra é uma alternativa importante para o cliente.

Marcas de referência: podem estar em outra cidade, país ou setor. Pesquise como constroem comunidade, apresentam produtos, facilitam a compra, criam eventos e transformam clientes em participantes da marca.

Registre o que foi observado, o link ou evidência, a data e a interpretação. Quantidade de seguidores e anúncios visíveis não comprovam faturamento ou rentabilidade do concorrente. Quando não houver dado, não complete a lacuna com uma estimativa apresentada como fato.

Transforme referências em hipóteses criativas

Uma marca de moda fitness pode estudar corridas de rua para entender pertencimento, preparação e celebração de conquistas. Pode observar academias para compreender rotina e acompanhamento. A partir daí, experimentar um encontro de corrida com um parceiro, uma experiência de teste de produtos ou uma colaboração com profissionais de atividade física.

O valor do repertório está em compreender o mecanismo e adaptá-lo à identidade, ao público e à capacidade da marca. Ampliar referências favorece combinações originais; a diferenciação depende da qualidade da adaptação e da experiência entregue.

Use uma ficha simples: referência observada → princípio que funciona → necessidade do nosso público → adaptação possível → teste → critério de continuidade.

Exemplo hipotético: encontro esportivo de outra cidade → ritual de comunidade → clientes que querem começar a se exercitar acompanhados → caminhada com academia parceira → evento piloto → avaliar presença, satisfação, custo e compras acompanhadas em uma janela definida. Registre como os participantes conheceram a ação e evite atribuir a ela todas as compras posteriores.

Saída desta etapa: mapa de concorrência e uma seleção curta de oportunidades de diferenciação, com evidências e testes possíveis.

5. Atualize o estudo de público

Investigue quem compra, quem considera comprar, quem abandona a negociação e quem deixa de voltar. Cruze dados de clientes, vendas, atendimento, buscas internas, avaliações e conversas. Descrições de público devem refletir evidências, com hipóteses claramente identificadas.

Procure respostas para estas perguntas:

  • Que situação leva a pessoa a buscar a solução? Qual problema, desejo ou ocasião está envolvido?
  • O que pesa na escolha: preço, confiança, conveniência, status, desempenho, prazo ou assistência?
  • Quais dúvidas e objeções aparecem antes da compra? Por que negociações são perdidas?
  • Onde a pessoa pesquisa, compara, compra e pede ajuda?
  • O que provoca recompra, indicação, cancelamento ou troca de fornecedor?
  • Quem usa, quem decide, quem influencia e quem aprova o pagamento? No B2B, esses papéis podem estar separados.

Converse com grupos diferentes, incluindo clientes recentes, recorrentes e oportunidades perdidas. Uma rodada pequena, como cinco a dez entrevistas exploratórias, pode revelar boas perguntas e padrões iniciais; não representa estatisticamente todo o mercado. Quando uma decisão exigir estimativas confiáveis de proporções, amplie e estruture a pesquisa adequadamente.

Organize os segmentos por necessidades e comportamento de compra, além de características demográficas. “Pessoas que precisam repor um produto rapidamente” pode orientar uma proposta de conveniência com mais precisão do que uma faixa etária isolada.

Desenhe a jornada: descoberta → pesquisa → comparação → compra → uso → recompra ou indicação. Para cada etapa, registre a dúvida principal, a mensagem, o canal, a informação necessária e o próximo passo esperado. Use os dados de forma responsável e limite a coleta ao que tem finalidade clara.

Saída desta etapa: segmentos prioritários, necessidades comprovadas, objeções recorrentes e oportunidades para melhorar comunicação, oferta e experiência.

6. Estude produtos, canais e marketplaces

O planejamento precisa considerar o que a empresa tem condições de vender e entregar. Cruze demanda com margem, estoque, capacidade, diferenciação e experiência de uso.

Defina o papel de cada oferta

Avalie produtos, linhas ou serviços por receita, contribuição, giro, sazonalidade, devoluções e recompra. Uma oferta pode atrair novos clientes; outra, sustentar recorrência; uma terceira, fortalecer posicionamento. Esse papel precisa caber na economia do negócio.

Separe o que será priorizado, mantido, ajustado, testado ou descontinuado. Para lançamentos, inclua pesquisa, desenvolvimento, amostras, fotografia, cadastro, treinamento e disponibilidade. Para serviços, considere capacidade de agenda e equipe: gerar demanda acima da capacidade pode piorar a experiência e desperdiçar investimento.

Antes de promover uma oferta, responda: qual público ela atende, qual benefício demonstra, que evidência sustenta a promessa, qual a margem depois dos custos variáveis e qual volume é possível entregar?

Avalie o papel dos canais

Loja física, comércio eletrônico próprio, venda consultiva, distribuidores, redes sociais e marketplaces possuem jornadas e custos diferentes. Defina a função de cada canal: descoberta, consideração, venda, atendimento ou relacionamento. Uma venda pode atravessar vários deles.

Confronte contribuição, qualidade dos clientes, esforço operacional, dados disponíveis e dependência. Concentrar toda a demanda em um único canal pode criar vulnerabilidade; diversificar exige capacidade e deve ter uma razão econômica.

Pesquise marketplaces com uma conta completa

Marketplace é um canal intermediado por uma plataforma. Estude a adequação à categoria, concorrência, padrões de preço, condições vigentes, logística, atendimento e reputação exigida. Compare a proposta com o canal próprio usando custos equivalentes.

Inclua comissão, mensalidade ou tarifas aplicáveis, meios de pagamento, frete subsidiado, armazenamento, anúncios internos, impostos, devoluções e operação de catálogo. Leia as condições atuais diretamente na plataforma antes de fechar a conta.

Uma ficha por produto pode conter: preço de venda antes das deduções − descontos − custo do produto − tributos e tarifas variáveis − logística e devoluções estimadas = contribuição antes dos custos ainda não incluídos. Defina cada linha com o financeiro para evitar descontar o mesmo custo duas vezes.

Comece com um conjunto pequeno de ofertas quando houver incerteza. Estabeleça prazo, verba, disponibilidade e critérios para continuar: contribuição mínima, qualidade da entrega, retorno de clientes e esforço de atendimento. Ranking de busca e avaliações públicas são sinais para pesquisa; não revelam sozinhos vendas, lucro ou qualidade de um fornecedor.

Saída desta etapa: portfólio prioritário, função de cada canal e testes de expansão com limites de investimento.

7. Construa o orçamento de marketing

O orçamento transforma prioridades em compromissos possíveis. Faça a construção em duas direções: estime o custo das ações necessárias e confronte esse valor com o caixa e a capacidade de investimento do negócio.

Use o histórico de 2026 como base, corrigindo desperdícios, custos esquecidos e mudanças de escopo. Um percentual da receita pode servir como referência interna de planejamento, mas a decisão depende de margem, estágio, objetivo, ciclo comercial e necessidade de investimento. Não há um percentual único adequado a qualquer empresa.

Inclua os custos que tornam a ação possível

Considere serviços contínuos, equipe, ferramentas, mídia, criação, fotografia, vídeo, páginas, pesquisa, eventos, influenciadores, amostras, deslocamento, impressão, acompanhamento e mensuração. Quando houver custo de equipe própria, diferencie a parcela atribuída à ação do desembolso adicional; alocação gerencial de horas não significa um novo pagamento.

Defina a fronteira do orçamento com o financeiro. Por exemplo, frete e desconto podem estar na conta comercial, e equipe no orçamento de pessoal. Mesmo fora da verba de marketing, precisam aparecer na análise de viabilidade, sem duplicação.

Um exemplo anual de R$ 120 mil

O exemplo abaixo representa uma operação fictícia. A distribuição serve para demonstrar o método; adapte valores e proporções à sua realidade.

Grupo de investimentoValor anualEscopo do exemplo
Operação contínuaR$ 48.000R$ 36 mil em serviços recorrentes, R$ 6 mil em ferramentas e R$ 6 mil em manutenção e mensuração
Mídia de campanhasR$ 30.000Distribuição paga das campanhas previstas
Produção adicionalR$ 12.000Entregas extras de campanhas, fora dos serviços recorrentes
Parcerias e experiênciasR$ 12.000Participações, criadores, eventos e ativações
Pesquisa e testesR$ 6.000Investigação de público e validação de oportunidades
Reserva a alocarR$ 12.000Imprevistos ou oportunidades, liberados após avaliação
Teto anualR$ 120.000R$ 108 mil planejados + R$ 12 mil de reserva

Os R$ 48 mil contínuos equivalem a R$ 4 mil por mês neste exemplo. Os demais R$ 60 mil de ações planejadas serão distribuídos pela demanda e pelo calendário. A reserva não deve aparecer simultaneamente como verba disponível e como gasto já alocado a campanhas.

Mantenha duas visões conectadas: quando o trabalho acontece e gera custo; quando o dinheiro sai do caixa. Uma produção de maio pode exigir sinal em março. O calendário financeiro precisa antecipar esse desembolso.

Confira a viabilidade antes de ampliar investimento

A margem de contribuição representa o que sobra das vendas após os custos e despesas variáveis considerados, para cobrir gastos fixos e formar resultado. Ela é diferente de lucro final. O Sebrae explica esse conceito e sua utilização na gestão.

Suponha uma campanha adicional de R$ 6 mil e uma margem de contribuição de 40%, calculada antes desse investimento. Para cobrir a campanha, seriam necessários R$ 6.000 ÷ 0,40 = R$ 15.000 de receita incremental na mesma base usada para a margem. Receita incremental é aquela que a ação acrescenta ao cenário sem a campanha; não é automaticamente toda venda registrada durante sua execução.

Se a ação acrescentasse R$ 18 mil nessa base, produziria R$ 7.200 de contribuição antes da campanha e R$ 1.200 depois dela. Esse valor ainda não equivale ao lucro líquido da empresa. A conta pressupõe margem estável, custos completos e capacidade disponível; se houver contratação extra ou mudança de mix, recalcule.

Não desconte novamente custos de marketing que já estejam dentro da margem utilizada. Para negócios de recompra, eventual retorno futuro precisa de histórico e tempo de observação; não financie um CAC alto apenas com uma expectativa otimista de valor do cliente.

Prepare cenários e a rotina de cotações

Monte um cenário essencial, um cenário base e um cenário de expansão. Em cada um, explicite ações, custo, capacidade, resultado esperado e condições para liberar verba. Se o orçamento diminuir, proteja primeiro aquilo que sustenta o objetivo e a operação. Se aumentar, saiba qual oportunidade está pronta para receber investimento.

Para solicitar cotações comparáveis, descreva entrega, quantidade, formatos, prazo, local, direitos de uso necessários, revisões, despesas incluídas e condições de pagamento. Compare custo total e aderência ao escopo, além do preço inicial. Registre validade da proposta, antecedência de contratação e responsável pela aprovação.

Revise as cotações antes de contratar; preços e disponibilidade podem mudar entre setembro e a execução em 2027. Negocie com antecedência para eventos, produção e períodos de alta demanda.

Saída desta etapa: orçamento anual por categoria e por mês, fluxo de pagamentos, premissas, reserva e critérios para redistribuir verba.

8. Monte o calendário comercial de 2027

O calendário ajuda a antecipar demanda, produção e negociação. Selecione datas pela relação com o público, a oferta e o objetivo. Uma empresa B2B pode priorizar feiras e ciclos de contratação; um negócio local, acontecimentos da cidade; uma marca de consumo, ocasiões de compra e uso.

Esta é uma base generalista para o Brasil. As datas móveis foram conferidas para 2027. Ela reúne oportunidades comerciais e culturais, não uma lista oficial de feriados e dias sem expediente. Confirme regras locais, calendário escolar, funcionamento e programação dos organizadores antes de contratar ou comunicar.

MêsDatas e oportunidadesComo usar no planejamento
JaneiroFérias, liquidações, retomada de rotina e preparação para volta às aulasOrganizar estoque, avaliar descontos pela margem e preparar necessidades de fevereiro
FevereiroCarnaval em 09/02; volta às aulas conforme cada redeAntecipar produção, entrega e atendimento; considerar turismo, lazer e mudanças no funcionamento
MarçoDia da Mulher em 08/03, Dia do Consumidor em 15/03 e Páscoa em 28/03Escolher prioridades, respeitar o significado de cada ocasião e preparar compras, conteúdo e logística com antecedência
AbrilPós-Páscoa, relacionamento e preparação para o Dia das MãesTrabalhar recompra, novas ofertas e oportunidades do setor; considerar Tiradentes em 21/04 na operação
MaioDia das Mães em 09/05Planejar presentes, experiência, prazo de entrega e abordagem inclusiva; avaliar datas específicas, como o Mês das Noivas
JunhoDia dos Namorados em 12/06, São João em 24/06 e festas juninasAdaptar a relevância à região e à marca; planejar experiências, parcerias e logística
JulhoFérias do meio do ano e preparação para volta às aulasRelacionar oferta a viagem, lazer ou retomada de rotina, conforme o público
AgostoDia dos Pais em 08/08Definir produtos, mensagens e prazos adequados; testar propostas para o segundo semestre
SetembroDia do Cliente em 15/09Valorizar relacionamento, experiência e fidelização; iniciar a preparação operacional do fim de ano
OutubroDia das Crianças em 12/10Preparar presentes, experiências e atendimento quando houver aderência à oferta e ao público
NovembroBlack Friday em 26/11Planejar ofertas sustentáveis, estoque, infraestrutura, prazo e atendimento; conferir o histórico de preços
DezembroNatal em 25/12, confraternizações e virada para 2028Definir datas-limite de compra e entrega, operação de trocas, férias da equipe e comunicação da virada

Dois ajustes importantes: o Dia do Consumidor é em março; setembro tem o Dia do Cliente. A Secretaria de Indústria e Comércio de Goiás lista as duas ocasiões separadamente. Campanhas de “semana” ou “mês” são escolhas comerciais; defina duração e condições com clareza.

Para conferir datas, consulte o calendário de 2027 e a data da Black Friday. O calendário bancário da ANBIMA ajuda a planejar operação financeira. Carnaval e São João não devem ser tratados automaticamente como feriados nacionais: a aplicação depende do local e do regime de funcionamento; o calendário do TRT-6 para 2027, por exemplo, tem abrangência própria.

Complete com o calendário do seu negócio

Inclua aniversário da marca, abertura de unidades, lançamentos, feiras, congressos, datas de categorias, renovação de contratos e ciclos de compra dos clientes. Pesquise ocasiões específicas: o Mês das Noivas pode importar para moda, beleza e eventos; uma feira industrial pode ser decisiva para uma empresa B2B.

Inclua ainda aniversário da cidade, festas tradicionais, eventos esportivos, temporadas de turismo e agendas de centros comerciais. Diferencie evento confirmado, edição esperada e ideia em negociação. A repetição anual não garante que a próxima edição terá a mesma data ou formato.

Para cada ocasião selecionada, registre data do evento, início da campanha, prazo de produção, compra de estoque, contratação, pagamentos, período de vendas e avaliação. A ação de maio começa a ser preparada antes de maio.

Saída desta etapa: calendário próprio, com prioridades comerciais e prazos operacionais, validado com as áreas envolvidas.

9. Transforme prioridades em um plano mensal

Distribua ações conforme sazonalidade, capacidade e objetivo. Use o calendário para encontrar oportunidades e reserve espaço para relacionamento, pesquisa, melhoria de canais e construção de marca ao longo do ano.

Avalie cada proposta por impacto esperado, evidência, custo, esforço e dependências. Quando a incerteza for alta, defina um teste menor antes de assumir um investimento maior. O orçamento deve refletir essas escolhas.

Exemplo de distribuição dos R$ 108 mil planejados

Este é o desdobramento do orçamento fictício da seção anterior para uma operação de varejo com venda digital e ações presenciais. Cada mês contém R$ 4 mil de operação contínua; a tabela mostra a verba adicional e o total do mês previsto para execução do trabalho. Os pagamentos devem ser distribuídos em uma visão de caixa separada, conforme os contratos. As ações indicam a prioridade do período, sem limitar o trabalho a uma única campanha.

MêsPrioridade ilustrativaAções adicionaisTotal do mês
JaneiroRetomada, estoque e ajustes na jornadaR$ 3.000R$ 7.000
FevereiroAtivação adequada ao público e pesquisaR$ 2.000R$ 6.000
MarçoConsumidor e Páscoa, com ofertas selecionadasR$ 5.000R$ 9.000
AbrilRecompra, testes e produção de Dia das MãesR$ 3.500R$ 7.500
MaioVeiculação e ativação de Dia das MãesR$ 4.500R$ 8.500
JunhoNamorados e experiência com parceiroR$ 6.000R$ 10.000
JulhoFérias, relacionamento e revisão semestralR$ 3.000R$ 7.000
AgostoDia dos Pais e teste de ofertaR$ 4.000R$ 8.000
SetembroRelacionamento com clientes e pesquisaR$ 2.000R$ 6.000
OutubroAção sazonal e preparação do fim de anoR$ 5.000R$ 9.000
NovembroBlack Friday e acompanhamento diárioR$ 14.000R$ 18.000
DezembroNatal, pós-venda e viradaR$ 8.000R$ 12.000
Total planejado12 mesesR$ 60.000R$ 108.000

Somando os R$ 12 mil de reserva ainda não distribuída, o teto permanece em R$ 120 mil. Ao liberar uma parte da reserva, transfira o valor para a ação e reduza o saldo da reserva na mesma proporção. A concentração em novembro é uma premissa deste exemplo, que deverá mudar em negócios com outra sazonalidade.

A planilha de trabalho deve cruzar mês × ação × categoria de custo. Assim, os R$ 60 mil adicionais da tabela mensal precisam corresponder aos R$ 30 mil de mídia, R$ 12 mil de produção, R$ 12 mil de parcerias e R$ 6 mil de pesquisa do orçamento anual. Esse cruzamento evita orçamentos diferentes circulando entre as áreas.

Dê uma ficha a cada ação

Uma ficha de campanha precisa conter objetivo, público, oferta, mensagem, canais, entregas, cronograma, custos por categoria, responsável, aprovador, indicador, fonte de medição, riscos e critérios para ajustar ou interromper.

Exemplo fictício: campanha de Dia das Mães

  • Objetivo: gerar contribuição adicional com uma seleção de produtos aptos para presente.
  • Público e oferta: definidos com base no estudo de compra e estoque; preço, condições, disponibilidade e prazo aprovados antes da comunicação.
  • Verba adicional: R$ 3 mil de mídia, R$ 1,5 mil de produção extra, R$ 1 mil de parceria com criador e R$ 500 de ativação. Total: R$ 6 mil, distribuídos na tabela mensal entre R$ 1,5 mil de produção em abril e R$ 4,5 mil de execução em maio.
  • Meta econômica de referência: cobrir o investimento com pelo menos R$ 15 mil de receita incremental, se a margem antes da ação for 40%, conforme a conta da seção anterior.
  • Preparação: aprovar oferta e custos em março, produzir e testar em abril, executar até o período de compra de maio e acompanhar trocas e devoluções antes de fechar a avaliação.
  • Responsáveis: marketing coordena campanha; comercial confirma oferta e atendimento; operação confirma disponibilidade; financeiro valida margem, verba e pagamentos.
  • Medição: receita, contribuição, pedidos, novos clientes e devoluções, com origem registrada no sistema de vendas. Para estimar vendas incrementais, prever um grupo ou região comparável sem a ação quando viável, ou construir uma referência histórica ajustada por sazonalidade e mudanças conhecidas. Documentar método e incerteza; origem no CRM, sozinha, não comprova incremento.
  • Regras de ajuste: reduzir divulgação de itens sem disponibilidade, investigar queda de conversão e revisar investimento se a contribuição ficar abaixo do limite aprovado.

Calcule o retorno com o resultado efetivo e o custo completo. Sem uma estimativa defensável de incremento, reporte vendas atribuídas e cenários de contribuição, mantendo a cobertura incremental dos R$ 6 mil como não comprovada. Cliques e mensagens ajudam a diagnosticar, mas não substituem a avaliação da meta econômica e da qualidade da experiência.

Saída desta etapa: plano mensal conectado ao orçamento e fichas das ações prioritárias, com donos, datas e critérios de decisão.

10. Planeje parcerias e a presença na cidade

Parcerias podem ampliar distribuição, credibilidade, repertório e acesso a públicos relevantes. Pesquise marcas complementares, criadores de conteúdo, influenciadores, organizadores de eventos, associações, espaços e comunidades.

Avalie aderência de público, valores, histórico de entrega, reputação, qualidade da interação, alcance geográfico e capacidade de execução. Peça informações compatíveis com a decisão e confira exemplos reais de trabalho. Quantidade de seguidores, isoladamente, não indica o valor de uma parceria.

Construa uma proposta para os dois lados

Descreva o que cada parte oferece e recebe, o público beneficiado, a experiência, as entregas, o orçamento e a forma de medir. Combine prazos, aprovações, uso de imagem e conteúdo, divulgação, exclusividades necessárias e responsabilidade pelo atendimento.

Uma colaboração pode envolver produto conjunto, conteúdo, benefício cruzado, encontro, aula, experimentação ou presença em um evento. Permuta também tem custo: contabilize produto, equipe, deslocamento, operação e oportunidade de venda.

No exemplo de moda fitness, uma academia pode contribuir com espaço e profissionais; a marca, com experiência de produto e comunicação; um criador, com conteúdo e mobilização. A proposta precisa fazer sentido para os participantes e ter um próximo passo claro, como conhecer a coleção, participar de uma comunidade ou agendar uma experiência.

Meça presença efetiva, participação, satisfação, contatos qualificados, compras acompanhadas e recompra quando aplicável. Um código ou link ajuda a identificar uma parte da resposta, mas não captura necessariamente todo o efeito da parceria.

Mapeie os grandes eventos locais

Consulte organizadores, secretarias de turismo e cultura, centros de convenções, associações comerciais e agendas dos espaços. Levante festas tradicionais, corridas, festivais, feiras, congressos e encontros profissionais relevantes para o público da empresa.

Para cada evento, registre organizador, data e local, perfil do público, situação da confirmação, modalidades de participação, prazo de inscrição, custo total e exigências de operação. Some estrutura, equipe, deslocamento, materiais e atendimento posterior ao valor da cota.

Escolha uma forma de participação compatível com a maturidade da ideia: observar o evento e conversar com participantes; testar uma presença pequena; realizar uma ação com parceiro; ou investir em uma ativação maior com objetivo comprovável. Reserve verba após entender o escopo e as condições.

Um exemplo já anunciado para 2027 é a Copa do Mundo Feminina da FIFA, de 24 de junho a 25 de julho, com sedes em Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. As datas e cidades foram divulgadas pela FIFA.

O possível impacto em turismo, alimentação, comércio e experiências é uma hipótese de planejamento a investigar em cada praça, não uma garantia de aumento de vendas. Consulte a programação atual e as condições de participação; vínculos oficiais e uso de marcas do evento exigem os direitos correspondentes.

Saída desta etapa: lista priorizada de parceiros e eventos, com proposta, responsável, próxima conversa, prazo e estimativa de custo.

11. Organize a produção de conteúdo e o marketing digital

Defina a comunicação a partir das dúvidas do público, do posicionamento e das ações planejadas. Redes sociais fazem parte desse sistema, junto de site, páginas de produto, buscas, e-mail, relacionamento por mensagens, mídia paga e materiais de apoio comercial.

Planeje conteúdo para cada momento da jornada

MomentoNecessidade do públicoPossíveis conteúdos
DescobertaReconhecer uma necessidade ou conhecer a marcaVídeos, histórias, eventos, conteúdos de interesse e apresentação de posicionamento
ConsideraçãoEntender diferenças e reduzir dúvidasDemonstrações, comparativos honestos, guias, perguntas frequentes e informações sobre uso
CompraConfirmar adequação, condições e confiançaPágina de oferta, detalhes do produto, prazo, atendimento e provas reais autorizadas
Uso e relacionamentoAproveitar a solução e resolver problemasOrientações, suporte, acompanhamento e conteúdo de pós-venda
Recompra e indicaçãoEncontrar um motivo relevante para voltarReposição, novidades pertinentes, relacionamento e programas com regras claras

Escolha temas editoriais que expressem a especialidade e a personalidade da marca. Equilibre utilidade, oferta, experiência e evidências. Registre os assuntos que o atendimento recebe repetidamente; eles ajudam a criar conteúdo com finalidade clara.

Organize a produção com antecedência

Desdobre o plano anual em campanhas trimestrais, pautas mensais e entregas semanais. A cadência deve caber na equipe e no orçamento. Defina quantas peças conseguem ser produzidas, aprovadas, distribuídas e avaliadas com qualidade.

Use um fluxo com responsáveis e prazos: briefing → pesquisa → roteiro ou texto → criação e produção → revisão → aprovação → publicação → distribuição → análise. Reserve tempo para refações e confirme os direitos de uso de imagens, músicas e materiais.

No briefing, inclua objetivo, público, mensagem central, oferta, canal, formato, chamada para ação, materiais de referência, evidências, restrições e indicador. Evite produzir uma peça antes de definir para onde a pessoa será direcionada e quem dará continuidade ao atendimento.

Uma sessão de captação pode render vídeo principal, versões curtas, fotografias, demonstrações e materiais para páginas de produto. Planeje os desdobramentos antes de gravar, considerando enquadramento, duração, legendas, som e necessidades de cada canal.

Prepare o caminho depois do conteúdo

Antes de uma campanha, confira página de destino, preço, estoque, formulário, contatos, rastreamento e experiência no celular. Alinhe o time comercial sobre origem da ação, oferta, perfil esperado dos contatos e prazo de resposta.

Use parâmetros de campanha nos links quando fizer sentido, registre a origem no CRM e conecte os contatos às vendas efetivas. Padronize nomes de campanhas e indicadores para facilitar a comparação. Teste a coleta antes de investir e documente falhas que limitem a leitura dos resultados.

Para conteúdo encontrado em buscadores, organize páginas claras, informações úteis, títulos coerentes e respostas sustentadas por experiência ou fonte. Para e-mail e mensagens, segmente pela relação e interesse do contato, respeitando as permissões aplicáveis. Para mídia paga, teste mensagem, oferta e destino com verba e critério definidos.

Saída desta etapa: calendário editorial conectado às campanhas, fila de produção, responsáveis, distribuição e medição até o resultado relevante.

12. Crie uma rotina de execução e revisão

O plano anual precisa de uma rotina que permita aprender e corrigir. Defina quem pode mudar verba, quem aprova escopo e quais situações exigem uma decisão conjunta de marketing, vendas, operação e financeiro.

Acompanhe cada valor no estágio correto

Mantenha orçamento aprovado, valor contratado, custo realizado e pagamento identificado. Esses registros respondem a perguntas diferentes: quanto podemos investir, quanto já assumimos, quanto foi executado e quanto saiu do caixa.

Exemplo fictício: uma ação tem orçamento de R$ 10 mil. Já foram realizados R$ 6 mil de serviços, dos quais R$ 4 mil foram pagos. Outros R$ 2 mil estão contratados e ainda serão executados. O saldo livre para novas decisões é R$ 2 mil: R$ 10 mil menos R$ 6 mil realizados menos R$ 2 mil de compromissos futuros. Os pagamentos ainda previstos desses compromissos somam R$ 4 mil, considerando R$ 2 mil realizados a pagar e R$ 2 mil a executar.

Não some o contrato integral novamente se parte dele já está registrada como realizada. Identifique também propostas em cotação: elas ainda não equivalem a compromissos assumidos.

Dê uma função a cada reunião

  • Semanal: acompanhar entregas, capacidade, campanhas em andamento, contatos pendentes e problemas que exigem ação rápida. Sair com responsável e prazo.
  • Mensal: fechar custos e resultados, comparar realizado com plano e período equivalente, atualizar pagamentos e decidir ajustes. Registrar a explicação das diferenças, além do número.
  • Trimestral: revisar prioridades, OKRs, cenário de mercado, portfólio e distribuição da verba restante. Atualizar a previsão do ano sem apagar o orçamento originalmente aprovado.
  • Após campanhas relevantes: registrar o que foi feito, quanto custou, resultado, limites de medição e decisão para a próxima edição. Aguardar a janela necessária para vendas, cancelamentos ou devoluções.

Observe indicadores de execução e de resultado. Atraso na produção, queda na disponibilidade ou demora de atendimento podem antecipar problemas. Receita e margem mostram efeitos que precisam ser avaliados no ciclo adequado.

Estabeleça gatilhos coerentes com a ação: estoque abaixo do necessário, custo acima do teto, procura incompatível com a capacidade ou contribuição insuficiente. Defina previamente o responsável por pausar, ajustar ou ampliar. Evite reagir a um dia isolado quando o volume de dados ainda é pequeno.

Preserve versões do plano e um registro curto das decisões. Assim, uma revisão deixa claro o que mudou, por qual motivo, com qual evidência e que efeito será acompanhado.

Saída desta etapa: calendário de gestão, painel de indicadores e regras de decisão que mantenham orçamento e execução conectados.

13. Consolide o plano e prepare a virada

Reúna as decisões centrais em uma página e mantenha os detalhes em documentos de apoio. Esse resumo deve permitir que outra pessoa entenda a direção, as prioridades e as condições para executar.

Modelo de plano estratégico em uma página

Copie os campos abaixo para seu documento de trabalho e preencha com respostas objetivas.

CampoO que precisa estar definido
Diagnóstico de 2026Principais resultados, aprendizados, limitações e problemas prioritários
Objetivo de 2027Mudança desejada e contribuição esperada de marketing para o negócio
Público prioritárioSegmentos, necessidades, situações de compra e objeções
Proposta e diferenciaçãoBenefício, evidências e motivo relevante para escolher a marca
Produtos e canaisOfertas prioritárias, papel dos canais e capacidade de entrega
KPIs e OKRsDefinições, ponto de partida, metas, prazo, fonte e responsável
Ações e calendárioCampanhas, projetos, eventos, parcerias e principais dependências
OrçamentoTeto anual, distribuição mensal, categorias, reserva e fluxo de pagamentos
Execução e revisãoDonos, aprovações, rotina, riscos e critérios para mudar o plano

Anexe o inventário de 2026, as pesquisas, o painel de indicadores, o orçamento detalhado e as fichas das ações. As abas de uma planilha podem seguir esses mesmos grupos; o importante é usar definições e valores consistentes.

De setembro de 2026 a janeiro de 2027

PeríodoEntrega sugerida
Setembro de 2026Consolidar os meses fechados, mapear ações e custos, identificar lacunas e iniciar entrevistas e pesquisa de mercado
Outubro de 2026Revisar o terceiro trimestre completo, definir prioridades, estudar ofertas e canais, desenhar cenários e solicitar cotações
Novembro de 2026Aprovar a direção e a primeira versão do orçamento, negociar parceiros, confirmar capacidade e detalhar o primeiro trimestre
Dezembro de 2026Preparar materiais de janeiro e fevereiro, confirmar contratos autorizados, revisar calendário e deixar responsabilidades e pagamentos organizados
Janeiro de 2027Fechar 2026 assim que os dados estiverem disponíveis, substituir projeções por realizado e ajustar metas e orçamento com registro das mudanças

Negociações de eventos, produtos ou produção com prazo longo podem precisar começar antes. Ajuste essa sequência aos ciclos do negócio e à disponibilidade da equipe.

Checklist para colocar o plano em prática

  • Os números de 2026 estão separados entre realizado, parcial e projeção, com comparações equivalentes?
  • Os objetivos de 2027 têm justificativa, metas, fontes de medição e responsáveis?
  • Público, produtos, concorrência e repertório foram estudados com evidências?
  • Cada ação prioritária tem objetivo, oferta, prazo, dono, custo e critério de avaliação?
  • A soma dos meses corresponde às categorias anuais, com reserva e pagamentos identificados?
  • A margem, o estoque, a capacidade e o atendimento sustentam a demanda pretendida?
  • As datas comerciais foram adaptadas ao setor, à cidade e à história da marca?
  • Parcerias e eventos têm condições verificadas e compromissos claramente definidos?
  • A produção de conteúdo, os canais e a continuidade comercial estão preparados?
  • A equipe sabe quando revisar o plano e quem decide mudanças?

Comece pelo levantamento dos dados disponíveis e pela escolha das decisões que mais afetam o negócio. Um planejamento útil dá direção ao trabalho, torna as escolhas visíveis e cria condições para aprender durante o ano.

Fontes e atualização: referências consultadas em 17 de setembro de 2026 e indicadas ao longo do texto. Calendários locais, condições de plataformas, cotações e programação de eventos devem ser reconferidos na preparação de cada ação.

Próximo movimento

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